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id da página: 5594 Terra Santa

Terra Santa

COSMOLOGIA — TERRA SANTA


VIDE: TERRA DE ISRAEL


Cabala

Adin Steinsaltz (Adin Even Yisrael): «A Rosa de Treze Pétalas». Maayanot, 1992.

A santidade deste Lugar é manifestada somente quando tudo está do jeito que deveria estar, quando o Templo está no local que lhe é designado, e quando tudo no Templo está tão perfeitamente ordenado e arrumado que ele está imbuído da Shekhinah. No entanto, como o local escolhido (por revelação profética) é o lugar no espaço onde essa conexão divina pode ser feita a qualquer momento, a santidade do local persiste até mesmo quando o próprio Templo já não está mais aí. Então, apesar dessa santidade não se manifestar agora, a possibilidade de sua manifestação é eterna. A partir do local do Templo, os círculos de santidade estendem-se até mais longe no espaço, tornando-se mais fracos quando retrocedem do Sagrado dos Sagrados para o Pátio do Templo, do Pátio do Templo até a Cidade Santa de Jerusalém, da Cidade Santa de Jerusalém para toda a Terra Santa, e depois, é claro, além. Cada um desses espaços limitados implica numa ampla gama de obrigações e privilégios. Quanto mais sagrado for um lugar, mais estrita será a obrigação geral — além de todas as obrigações mais específicas que correspondem àqueles que vivem, ou como os sacerdotes, funcionam numa área santificada — relacionando-se com ele de certa maneira.

Apesar do potencial para a santidade persistir para sempre, é verdade que a santidade da Terra de Israel não pode ser manifestada adequadamente, a menos que todos os constituintes dos círculos de santidade que irradiam do centro de Jerusalém estejam em seus lugares corretos. Assim, quando o Templo não está em pé, todos os aspectos de santidade que crescem dele tornam-se vagos e incertos, alguns deles afundando num estado de santidade apenas latente, indicando somente uma possibilidade e um ponto de partida. A santidade da Terra Santa não tem nada a ver com o que os habitantes são, ou com o que eles fazem; é uma escolha vinda de cima, de além da compreensão humana.


René Guénon: SÍMBOLOS DA CIÊNCIA SAGRADA

Já demonstramos em outras partes, em particular no estudo sobre O Rei do Mundo, que a expressão "Terra Santa" tem um certo número de sinônimos: "Terra Pura", "Terra dos Santos", "Terra dos Bem-aventurados", "Terra dos Viventes", "Terra da Imortalidade", e que essas designações equivalentes são encontradas nas tradições de todos os povos. Essencialmente, elas sempre se aplicam a um centro espiritual, cuja localização numa determinada região pode, segundo o caso, ser entendida literal ou simbolicamente, ou nos dois sentidos ao mesmo tempo. Toda "Terra Santa" é também designada por expressões como "Centro do Mundo" ou "Coração do Mundo", o que exige algumas explicações, pois essas designações uniformes, ainda que diversamente aplicadas, poderiam com facilidade provocar certas confusões.
Do testemunho concordante de todas as tradições de que existe uma «Terra Santa», por excelência, extrai-se claramente uma conclusão: é a afirmação de que existe uma «Terra Santa», por excelência, protótipo de todas as outras «Terras Santas», centro espiritual, ao qual todos os outros centros estão subordinados. A «Terra Santa» é também a «Terra dos Santos», a «Terra dos Bem-aventurados», a «Terra dos Viventes» e a «Terra da Imortalidade»; todas estas expressões são equivalentes, mas é preciso ainda juntar a de «Terra Pura»1 , que Platão aplica precisamente à «morada dos Bem-aventurados»2 . Situa-se habitualmente essa morada num «mundo invisível»; mas, se se quiser compreender do que se trata, não se deve esquecer que se passa o mesmo com as «hierarquias espirituais» de que falam também todas as tradições e representam, na realidade, os graus de iniciação3 .


Alleau: ASPECTS DE L'ALCHIMIE TRADITIONNELLE

O símbolo das «duas Terras», a «Terra Santa» e a «Terra Sagrada», que juntas ao par Sol-Lua, compõem a «cruz cósmica», tendo como vertical o «eixo da luz original» e horizontal o «eixo do coração» (Terra Santa). O polo norte representa o Axieros (Hermes-Logos) e o polo sul o Hermes-Kadmon (Kadmilos), a Terra Sagrada. No lado direito da horizontal, Hefesto (Axiokersa; Lua); no lado esquerdo da horizontal, Hélio-Logos (Axiokersos; Sol).

Esta figura mostra, de uma parte, o cruzamento dos dois eixos ou da díade «luz-coração» no ponto central da Cruz, localização que se torna então, em relação à «Terra Sagrada», o centro da «Terra Santa» ou o «Raio único da Luz original» e cujo símbolo unirá, a meio caminho, o «sol e a «lua» pelo gráfico do «Cordeiro» atestado pelas representações de Hermes-Kriophoros ou «portador do cordeiro» em seguida por aquelas do «Bom Pastor» cristão.


NOTAS:
1 Entre as escolas budistas que existem na Japão, há uma, a de Gio-do, cujo nome se traduz por «Terra Pura»; isto faz recordar, por outro lado, a denominação islâmica dos «Irmãos da Pureza» (Ikhwan Es-Safa), sem falar dos Cátaros da Idade Média ocidental, cujo nome significa «puros». Aliás, é provável que a palavra Sufi, designando os iniciados muçulmanos (ou mais precisamente os que atingiram a intenção final da iniciação, como os Yogis, na tradição hindu) tenha exatamente o mesmo significado. Com efeito, a etimologia vulgar, que o faz derivar de súf, «lã» (donde teria sido feita a vestimenta que os Sufis trazem) é muito pouco satisfatória, e a explicação pelo grego sophos, «sábios», parecendo mais aceitável, tem o inconveniente de apelar para um vocábulo estranho à língua árabe. Julgamos pois que é de admitir de preferência a interpretação que faz derivar Sufi de safa «pureza».
2 A descrição simbólica desta «Terra Pura», encontra-se no fim do Fédon (trad. de Mário Meunier, pág. 285-289). Observamos já que se pode estabelecer uma espécie de paralelo entre essa descrição e a que Dante fez do Paraíso Terrestre. (John Stewart, The myths of Plato, págs. 101-113).
3 Além disso, os diversos mundos são propriamente estados e não lugares, embora possam ser descritos simbolicamente como tais. O vocábulo sânscrito loka, que serve para designá-los, e que é idêntico ao latim locus, encerra em si a indicação desse simbolismo espacial. Existe também um simbolismo temporal, segundo o qual esses mesmos estados são descritos sob a forma de ciclos sucessivos, embora o tempo, tão bem como o espaço, não seja, na realidade, senão uma condição própria de um dentre eles, de forma que a sucessão não é aqui senão a imagem de um encadeamento causal.